domingo, 18 de janeiro de 2009

Sim para o forró na mídia! PARTE 3

Vocês não sabem como é difícil pesquisar a história do forró hoje em dia. Não há registros direito. Isso porque a tradição ficou guardada, era passada no boca-a-boca quase. É claro, é de cultura popular que estamos falando. E uma das características dela é ser passada assim mesmo, sem "o dedo da grande mídia". Mas às vezes somos contraditórios. Não queremos a mídia metendo o bedelho, mas reclamamos se ela não dá espaço. Vocês acham que os jornalistas adivinham as coisas? Se a gente não falar pra eles "olha, tem um lugar lá no Espírito Santo dedicado praticamente só ao forró", eles nunca vão saber. E o festival nunca vai ter apoio e vai perdendo o dinheiro (como o próprio organizador reclamou pra gente em entrevista) e deixa de existir.

É como se nós precisássemos das pessoas sem noção que vão pra gente curtir. Eles movimentam financeiramente a coisa, os organizadores continuam fazendo o evento e a gente continua curtindo. Quantos produtores me disseram que forrozeiro não sustenta o forró! Forrozeiro pede desconto, quer entrar de graça e são relativamente poucos. E amizade não segura um evento que precisa de uma certa quantidade de pessoas pra se pagar...

Um amigo deu o exemplo de Itaúnas para mostrar que a divulgação desenfreada prejudica. Ele disse: "os forrozeiros, quem curte, cultiva, respeita e ama o forró, natureza, coisas simples e cuida da cultura de comunidades tradicionais, está deixando de ir p lá no Reveillon, pois já está ficando desequilibrado, sendo invadido por um "bando" de farofeiros que tocam funk na maior altura, tornando impossível, p ex., rolar ao mesmo tempo um forró da padaria; jogam lixo nas dunas, etc. Ou seja, um desequilíbrio ambiental e um atentado cultural.
Se fizermos uma enquete junto à moradores de comunidades tradicionais sobre esse aspecto, preservação ou divulgação, acho que ouviremos que eles preferem viver como vivem, a ver o seu meio de vida deturpado. Esse deve ser o cuidado. (...) Eu penso que como o meio-ambiente, a cultura também morre."

Sabe, eu concordo com ele. Detesto esse povo nada a ver que deturpa tudo e só faz bagunça. Mas tudo tem vários lados. Aqueles moradores precisam de gente lá para sobreviver. Os turistas movimentam a economia local. Mas acho que, tanto na cultura como no meio-ambiente, o que precisa ser feita é uma conscientização. Como esperar que as pessoas respeitem o forró se elas nem sabem o que é direito? E como elas vão saber se ele não é divulgado direito?

Tudo é um ciclo, tudo é relativo e tem vários lados. Só queria mostrar alguns deles. Eu não sou sabe-tudo, aliás, sei pouquíssimo e respeito muito quem entende mais, pesquisa mais e pensa diferente. Posso estar totalmente errada. Se estiver, quando eu perceber isso, vou saber reconhecer meu erro. Não tenho medo de mudar de opinião. Hoje, minha opinião é essa. Amanhã, alguém pode me convencer com argumentos sólidos do contrário. Aí eu falo de novo...

Obrigada pela paciência de ler tudo. Dê sua opinião também, por favor, nos comentários do blog.
Sei que estou sendo confusa e às vezes contraditória. Mas estou tentando falar o que ando pensando há pelo menos um ano. Alguns de vocês devem pensar "essa menina mal entrou no forró e fica querendo saber tudo". Já ouvi isso. Só que faço de tudo pra agradar todo mundo e tem sido difícil entender o que as pessoas realmente querem...

2 comentários:

Fabio Vilela disse...

oi Dri, eu li tudinho.. Gostei dos textos, ficaram muito bons!

a minha opinião é a de que o forró deve ser divulgado sim. O máximo possível, afinal é da nossa cultura que estamos falando. Um outro pensamento é que quero ver meus amigos de trios ganhando dinheiro, juntamente com as pessoas que produzem os eventos. Só assim isso vai continuar crescendo. Se eu gosto de um trio eu quero mais é que ele seja reconhecido e que ganhe dinheiro... que venda milhões de cópias de CD`s e tudo mais.
Acho que sempre vai ter gente "nada a ver" nos forrós, mas isso é importante para que os produtores ganhem com ingressos. Além disso são essas pessoas as próximas a serem contaminadas pelo forró.

Beijos!!

Marina disse...

Oi!
Eu confesso que andava meio na dúvida se o forró deveria ser mais divulgado. Mas cheguei à conclusão que deve sim! E com urgência! Primeiro, pra perpetuar o movimento, que depende de dinheiro pra ser levado pra frente. Segundo, pra ser entendido. O forró é muito mal interpretado. Quando eu digo pras pessoas que gosto de forró, elas logo associam a baixaria, pegação...Quem conhece e gosta, sabe que não é nada disso. E quando as pessoas entenderem o que é o forró pé-de-serra verdadeiro, tenho certeza que vão começar a frequentar os eventos e contribuir para o movimento! Quando eu assisti ao filme "Por Amor ao Forró" me senti representada e fiquei doida pra que todos os meus amigos vissem também! Porque explica o que muitos não entendem...o porquê da gente gostar tanto desse tal do forró! E tenho certeza que se vissem, iam gostar também! Sim à divulgação consciente do forró!