terça-feira, 29 de setembro de 2009

Marinês e sua Gente no Correio Braziliense!

Quando cheguei em casa ontem, meu pai disse que tinha separado uma página do jornal de sábado para mim. Achei que fosse sobre algum assunto que eu tenho trabalhado, mas quando vi fiquei muito feliz. Mais uma vez o jornal Correio Braziliense aqui de Brasília deu espaço para nosso querido forró pé-de-serra. A capa do caderno de cultura foi sobre Marcos Farias, o filho da Marinês que mora aqui. Nem preciso dizer muito a respeito. Deem uma lida. Quem quiser ler a reportagem na página do jornal e ainda ouvir a música Vem ficar comigo, do disco Dedicado a vocês, de Sheilami (esposa do Marcos), clique aqui.

A GENTE DE MARINÊS
Herdeiros da eterna rainha do forró moram em Taguatinga e mantêm viva a pegada nordestina da sanfona, do triângulo e do zabumba
por Irlam Rocha Lima



O espírito alegre e festeiro de Marinês paira no ambiente de um apartamento do edifício Panorama, em Taguatinga Norte. Lá, ela é cultuada pela família Farias: Marcos, Sheilami, Davi e Emmanuel — filho, nora e netos da eterna rainha do forró —, que levam adiante o legado daquela que foi chamada por Gilberto Gil de “a grande mãe da música nordestina”.

Mesmo morando fora do eixo Rio-São Paulo, o sanfoneiro Marcos Farias é um dos mais requisitados produtores de discos do país. Seu nome pode ser visto no crédito de discos de artistas como Elba Ramalho, Zé Ramalho, Geraldo Azevedo, Genival Lacerda e Mastruz com Leite, entre outros. Além disso, é convocado, com frequência, para acompanhar os “conterrâneos” em shows.

Ele assina, por exemplo, a produção de Grande encontro 3, CD e DVD com a participação de Elba Ramalho, Zé Ramalho e Geraldo Azevedo. Mas foi com a mãe, também conhecida como “Luiz Gonzaga de saias” (apelido dado por Dominguinhos), que ele mais trabalhou nos últimos anos — tanto em estúdio quanto nos palcos da vida.

“Quando mamãe completou 50 anos de carreira, em 1999, produzi, junto com Elba, o álbum comemorativo, com a participação de Elba, Zé Ramalho, Geraldinho, Alceu (Valença), Genival Lacerda, Lenine, Chico César, Ney Matogrosso, Moraes Moreira e Margareth Menezes. O Gil iria tomar parte, mas na época, como estava com problema nas cordas vocais, ficou de fora. Mesmo assim, homenageou Marinês, escrevendo o texto de apresentação do disco”, lembra Marcos, filho do grande Abdias, ex-diretor da gravadora Columbia (atual Sony Music), que herdou do pai o gosto pelos teclados.

Marcos também produziu os últimos registros fonográficos da matriarca, o CD Marinês, hoje e sempre e o book-CD Marinês canta a Paraíba. “O disco, gravado com a participação da Orquestra Sinfônica da Paraíba, veio encartado no livro que focaliza a vida e a obra de minha mãe”, conta.

Carioca, criado no Nordeste, onde se tornou músico profissional, Marcos está radicado em Brasília há 10 anos. Aqui, casou-se com Sheilami em 1999 e logo em seguida montou um estúdio no Núcleo Bandeirante. Em 2004, depois de cumprir temporada de três meses em Nova York, como cantor e produtor, voltou ao Brasil. Seguiu para Fortaleza, contratado pelo estúdio Som Zoom. Ao retornar ao DF, foi morar em Taguatinga.

Marcos produziu, igualmente, discos de artistas brasilienses, entre os quais os do cantor Nilson Lima e o da banda de forró Zambumba Azul, além, é claro, os dois mais recentes da mulher, Sheilami. Orgulhoso da família, fala com entusiasmo dos filhos Davi e Emmanuel, que seguem os passos dos pais e dos avós. “A música e o forró estão no DNA dos dois.”

Responsável pelo espólio artístico da mãe, Marcos prepara-se para produzir o CD póstumo Gente de Marinês, o primeiro com músicas do repertório dela, morta em 2007. Porém, o projeto mais ambicioso é o memorial que pretende instalar em algum local de Brasília. “No memorial serão reunidas peças do acervo deixado por mamãe, como sua coleção de discos, as roupas e os adereços que usava nos shows, fotos, matérias publicadas por jornais e revistas e vídeos de programas de televisão”, adianta. “Todo esse material estará digitalizado e com acesso gratuito. Num pendrive o visitante poderá baixar o que lhe interessar para uso em pesquisa, por exemplo.”

Família musical


Filha de Zé do Norte, um dos pioneiros do forró na capital, onde esteve à frente de casas de shows no Conic, Pistão Sul e Ceilândia, Sheilami já havia iniciado a carreira artística quando conheceu Marcos Farias, com quem se casou há 16 anos. A cantora, que costuma fazer apresentações em cidades do DF, do Nordeste, e em São Paulo, tem seis discos gravados — os três primeiros produzidos por Dominguinhos e Oswaldinho do Acordeon, e os três últimos pelo marido.

Dedicado a vocês, o CD recente, acaba de ser lançado e é totalmente dedicado à obra de Dominguinhos. Entre as músicas gravadas estão parcerias do sanfoneiro pernambucano com parceiros como Fausto Nilo (Sem saída), Anastácia (Contrato de separação), Nando Cordel (Dedicado a vocês), Manduka (Quem me levará sou eu), Djavan (Retrato da vida) e Gilberto Gil (Lamento sertanejo).

“Na última faixa, Vem ficar comigo, outra composição de Dominguinhos e Nando Cordel, para minha alegria, conto com a participação de Marcos e dos meus filhos Davi e Emanuel”, comenta.

Davi, 15 anos, é o filho mais velho de Marcos e Sheilami. Estudante da sétima série do Colégio do Sesc, em Taguatinga Norte, é baterista e já acompanha o pai, desde o ano passado, em algumas apresentações. O irmão Emmanuel, do alto dos seus 8 anos, revela convicto que, embora tenha muito interesse por informática, quer seguir carreira musical. Toca guitarra e violão e vê o pai como exemplo. Sonha tocar com ele em shows.

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