quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

O forró não caiu, não senhor!

"Eu pensei que o forró ia cair, mas o forró não caiu não. Forró para mim é alegria, dia e noite, noite e dia, é a maior curtição...É sanfonada, é trianglada, é zabumbada, forró do bom, chamego até de madrugada, muita mulher agitando a rapaziada e ainda dizem que o forró não tá com nada". (Agitando a Rapaziada - Trio Forrózão)

Sei que todos conhecem essa música. Pra mim, ela diz muito. Por causa dela, o nome do filme que fizemos ia ser "O forró não caiu". Mudamos o nome por outras circunstâncias. Mas a frase continua sendo verdadeira. Quando comecei a pesquisar pro filme, algumas pessoas tentaram me convencer do contrário. Disseram que o forró não era mais o mesmo, que passou o tempo em que era melhor. Mas, pelo menos jornalisticamente, eu e meu amigo concluímos que não era bem assim.

Um professor meu - que até é parceiro de composições do Dominguinhos - na época me disse que os movimentos musicais são dinâmicos mesmo, vão e voltam, sofrem mudanças, é normal. Mas nem todos passam por tantas gerações. E é isso que é fascinante no forró. Já se passaram mais de 60 anos e até hoje tem gente que ama o forró, que ouve, dança, estuda, pesquisa, divulga. Isso é incrível, acreditem! Sempre que conto isso a alguém de fora causo surpresa e admiração.

Com toda a discussão que temos tido, os comentários no blog, as mensagens particulares que recebi, cheguei a uma conclusão. O forró é lindo demais, é imortal, graças a todos nós. Nordestinos, brasilienses, paulistas, cariocas, velhos, novos, antigos e novatos. Todos somos responsáveis pela propagação dessa cultura maravilhosa.

Então vamos parar com essa história de panelinha, de antigos versus novatos. Vamos nos esforçar pra entender o que é o forró. Ele é mais que música, dança e curtição. É cultura! Quem tá chegando agora, corra atrás, pesquise. Leia a respeito. No rodapé do blog tenho sugestão de 2 livros e um filme. Saiba mais sobre as bandas, os artistas que morreram no esquecimento, mas fizeram muito pelo forró. O blog dos djs Tick e Ivan é ótimo pra isso. E ainda dá pra baixar músicas bem antigas (http://www.forroemvinil.com/). O site www.luizluagonzaga.com.br também tem muita coisa interessante.

E os mais antigos, abram-se para o novo. Essa galera que tá chegando é que vai segurar o forró. Se não forem tratados bem, se ninguém lhes mostrar o que é bom, vão desistir. E não é isso que queremos, certo? Portanto, nada de preconceito. O forró, como disse um amigo aqui no blog, é "for all" e nós, como disse outro, somos a alma dele.

Obrigada a todos (Cris, Fabinho, Walter, Osvaldo, outra Cris, Daniel...) que me deram uma injeção de ânimo e me fizeram perceber que vale muito a pena lutar pelo nosso forró. Nesta quinta-feira, às 21h, estarei de novo no programa Papo Firme, na 100,9 fm - Rádio Cultura. Falando, claro de forró! Sempre!

Pra finalizar, um versinho de um amigo de Pernambuco que deu uma entrevista pro filme, o Reginaldo. Ele foi amigo e produtor de Luiz Gonzaga e diz: “Luiz Gonzaga foi uma fonte, onde muitos beberam água. Hoje a fonte está vazia, só a lembrança deságua. Mas, se preservarem, um dia a água volta e não se acaba”.

E viva o forró pé-de-serra!

ps: vcs querem que eu pare de mandar os textos do blog pros grupos e e-mail? se sim, respondam só pra mim, por favor. obrigada.

2 comentários:

Anônimo disse...

Oi Dri, fiquei muito emocionada com essa manifestação, acho que realmente, os movimentos musicais são cheios de mudanças, assim como os movimentos políticos, sociais e culturais, afinal, é tudo muito ligado. Essa história de restringir a um grupo seleto é elitismo e não está com nada, nós temos é que espalhar mesmo, as pessoas tem que primeiro conhecer para depois escolher e decidir gostar. Viva o FORRÓ de verdade, que nós amamos, defendemos e divulgamos sim!!!
Joana

Cristiane disse...

Tenho acompanhado esse debate desde o inicio. Além de muito rico, ver a visão de cada um é muito interessante.

O forró não cairá enquanto houver pessoas dispostas a resgatarem à cultura popular. Falo não somente pelos forrozeiros, falo pelo lado artístico cultural (pontos de culturas, pontos de encontros, folguedos, folias, pontinhos, artistas circenses, mamulengueiros, etc...). Não podemos querer limitar o forró, pois ele é muito complexo. Cheio de histórias e mudanças.... siiiim! A cultura muda e se adaptada de acordo com o meio! Tudo é uma questão de interesse e informação.

Veja o Zé do Pife no meu aniversário! Muitos ali nem sabiam o que era um pífano, mas receberam de coração o "meu véio". E ainda teve quem questionasse porquê de um tocador de pife em um evento de forró! *risos*

Instrumentos regionais como zabumba, pífano, sanfona, triângulo, rabeca, alfaia, tambor, entre outros, trazem os ritmos dançantes do coco, xaxado, ciranda, maracatu, forró, baião, .... Um é complemento do outro. \o/

São tantas variações que o mestre João Biano uma vez falou, “Forró é a casa onde se dança”, explicando que, "forró não é um ritmo musical específico, mas sim um local em que se dança diversos ritmos da música nordestina." Ixiii!!! E agora? *risos*
Só para constar, Mestre Biano faz parte da Banda de Pífanos de Caruaru. E se não estiver enganada, esse ano completam 85 anos de música.

Falando em mestres... Vou citar a Dona Gracinha (uma fofa!), uma GRANDE SANFONEIRA no Brasil. Com a visão parcial podia ouvir o som da sanfona que seu tio tocava e aos 7 anos de idade se apaixonou pelo instrumento. Seu amor é tão grande que mesmo perdendo uma das pernas num acidente e quase cega (desde criança) toca até hoje. "Menina eu pra tocar sanfona desisto até de comê!" E há anos reside em Brasília, tocando principalmente em eventos culturais.
Aqui tem grande potencial cultural e grandes mestres, como Martinha do Coco, Seu Estrelo, Pé de Cerrado, Seu Zé, Casa de Farinha, Chico Simões e zaz, zaz, zaz (como diz meu amigo Walter)...

Fechar os olhos para essas manifestações é negar o forró!

Não posso deixar citar a Família do Mestre Salustiano que emocionou a todos no TEIA do ano passado (durante 5 dias Bsb foi ocupada por diferentes ritmos e cores. O maior encontro da diversidade cultural brasileira. Passou por aqui mais de 800 representantes e centenas de artistas e ativistas culturais de todas as regiões do país que participaram de fórum, seminários e mostra artísticas. E tudo isso aconteceu de graça na esplanada dos ministérios.).Fizeram uma LINDA homenagem a esse mestre que foi considerado um dos grandes responsáveis pela preservação da ciranda, do pastoril, do coco, do maracatu, do caboclinho, do mamulengo, do improviso da viola, de folguedos populares, do folclore nordestino e do FORRÓ.
Grudada no palco chorei de saudades pela ausência do Mestre Salu... Mas também chorei de alegria ao ver seus filhos continuando com o seu legado....

"vou cantar... vou cantar...
uns vão saber...
outros vão chorar...
alguns vão conhecer..."


Salve salve a cultura popular!



Ave... falei demais.... ¬¬

Cris