segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Rootstock 2010: quando me (re)apaixonei pelo forró

Rootstock 2010 - Show do Trio Alvorada na beira da piscina
Meu corpo está extremamente cansado. Na última semana (como nos últimos meses), dormi pouquíssimo e trabalhei demais. Apesar de feliz profissionalmente, não tenho tido tempo para muitas das coisas que gosto ou gostava, o que inclui o forró. Isso me fez ir deixando ele cada vez mais de lado na minha vida. E aos poucos fui achando que nem era mais tudo aquilo que eu achava. Enjoei, perdeu a graça, sei lá.

Só que o último fim de semana me causou um efeito transformador: fui para o Rootstock! Por causa do trabalho, perdi uma noite e um dia do evento, mas, ainda assim, foi intenso e valeu muito a pena! Assisti a incríveis shows do 3 do Nordeste, Trio Nordestino (que me surpreendeu com tanta animação), Duani, João Silva (nesse me emocionei muito me lembrando do Mestre Zinho) e tantos outros que são sempre bons [trecho atualizado na quarta, dia 13, às 14h20]. Vivenciei coisas que estavam esquecidas dentro de mim. Vi amigos que me fazem muita falta. Ouvi músicas que me fazem chorar. E chorei quando vi tudo isso junto no mesmo lugar. As lágrimas eram de saudade, de tristeza por não ter aquilo sempre e de alegria ao mesmo tempo, por ter a oportunidade de estar lá.

Conversei com pessoas que colocaram o forró como foco de suas vidas. Não se importam com a falta de dinheiro e conforto. Não ligam para as exigências sociais. Elas vivem a paixão, dedicam-se ao que acreditam. E por isso admiro tanto cada uma delas. São corajosas e apaixonadas, como eu gostaria de ser bem mais.

Ao voltar de lá, fiquei pensando em quanto aquela mistura de classes sociais, cores, estilos e sotaques me fascina. Essa família forrozeira que já me trouxe tanta alegria provou que não tem fim. Uns enjoam, se afastam, dão um tempo. Enquanto outros chegam animados, cheios de energia. E há muitos que nunca desistem. É um ciclo infinito. Bonito de se ver.

Hoje, pensando nessa relação visceral e apaixonada que todos temos pelo forró, deixei minha imaginação fluir e fiz um texto meio poético sem querer, comparando o forró com uma história de amor. Interpretem como quiserem e, se não entenderem, não se preocupem. Nem eu entendi muito bem... (risos).

Amor tatuado
Por Adriana Caitano

Observe uma pessoa apaixonada de verdade. O sorriso dela parece ter se fixado no rosto, nunca sai dali. O corpo é agitado, ansioso, quer se expressar, gritar para o mundo seu amor. E os olhos então? Eles brilham, explodem de alegria sem a necessidade de uma palavra sequer. E, quando as palavras saem, vêm como melodia, poema, têm gosto de brigadeiro, cheiro de rosas, cor de felicidade. São única e exclusivamente voltadas para o amor.

Durante dias, semanas, meses ou até anos essa pessoa pensa, respira, dorme, vive seu amor. Não tem outro assunto, outra ocupação. É exagerada sem medo. Para muitos dos que convivem com ela, parece chata. Qualquer segundo que lhe sobra da rotina endurecida e cinza que possa ter, ela dedica ao amor. E são momentos coloridos, vibrantes, inesquecíveis. E se esse amor acabar? Se ela descobrir que aquilo tudo passou como um sonho? Não importa. Ela continua amando e sabe que vive com a intensidade que só um apaixonado sabe viver.

Pode ser mesmo que o amor perca um pouco a força, se esconda ou fique completamente esquecido lá no fundo. Mas, para o apaixonado, as lembranças são o prêmio ou castigo por ter amado tanto. Pode não haver fotos ou vídeos que registrem sua paixão. Só que um dia essa pessoa, que pensava ter conseguido esquecer aquele amor, reencontra-se com ele e com tudo o que o lembra. O coração transborda novamente quando a memória resolve reativar seus arquivos sentimentais. E tudo o que estava ali esquecido, guardado para nunca mais, vai se refazendo em sons, imagens, cheiros e gostos de tudo o que ela viveu por aquele amor. Não tem remédio. Está marcado para sempre, tatuado – muitas vezes com tatuagem de verdade. E ela vive aquilo intensamente de novo, sem pensar no ontem ou no amanhã.

Em algum momento, ela descobre que a sensação de não caber dentro de si não é exclusividade sua. Quando encontra alguém que compartilha de todos aqueles sentimentos e que é capaz de fazer loucuras muito maiores pelo seu amor, sente-se pequena. Como pôde ter amado tão pouco? Como pôde ter deixado a rotina abafar o que sentia? É aí que ela se reapaixona, não só por aquele antigo alvo. Mas pelo amor dos outros. É tão lindo ver a devoção de alguém pelo que ama! E é maravilhoso ter certeza de que ninguém precisa entender o motivo da sua entrega, da sua adoração, nem ser convencido de que deve também amar.

Seu amor também não precisa te retribuir por ser tão amado. Porque o verdadeiro apaixonado sabe que o simples fato de ter vivido para sentir tudo aquilo já bastou. E, mesmo que guarde esse amor no fundo do baú das memórias, morrerá feliz por um dia ter amado de verdade...





PS: Essa tatuagem não é minha, mas de uma amiga forrozeira de Brasília a quem admiro muito por todos os motivos citados acima... Tatuagem inspirada na música Por Amor ao Forró, de Pinto do Acordeon ("Já cantei, já sorri, já chorei, tudo só por amor ao forró...")


9 comentários:

Rádio Forroots - Forró e Reggae 24h disse...

PARABÉNS...!!!!

E muito obrigado.


#emocionado



ps: "apoiando-nos uns nos outros, vamos seguindo, fazendo escolhas por amor, sem olhar para trás".


Kiko Forroots.

Cabeluda disse...

Dri, sem palavras, faço de suas minhs palavras!
feliz por ter amigos como vc, com tal sensibilidade!
parabéns novamente pelo blog, por favor, continue postando, nós, o publico e o forró, precisamos de vc!
bjs da sua amiga,

Cabela

Paula disse...

"Me (re)apaixonei pelo forró" foi exatamente oq eu voltei sentindo tbm, lendo isso então me identifiquei ainda mais, tbm me deixei desanimar por alguns motivos, mas eu sabia, como que numa ctz profunda q esse amor é muito grande dentro de mim, e acredito que na maioria dos que estavam por lá... muito bom ter a oportunidade de dividir essa emoção, essa cultura e toda essa paixão tão linda e rica com pessoas que as sentem e vivem tbm!
Parabéns pelo post
baijos

Virgínia - Gyn disse...

Sem palavras Dri...belissimo!

"Tudo só por amor ao forró..."

delio disse...

Só quem sente tudo isso é que consegue entender. E claro que, sentindo tudo isso que você escreveu, me identifiquei totalmente com o texto.
Só fico triste pelo forró em Brasília não estar mais proporcionando tantas emoções como proporcionou há algum tempo.
Mas sempre que eu tiver tempo e dinheiro vou comparecer aos fetivais. Pelo jeito, eles que tem mantido toda essa energia positiva do forró

dri!!! obrigado por me relembrar um pouquinho desse sentimento!

xeru!

Alyne Cortes disse...

Só quem conhece, sabe a alegria de se apaixonar e se (re)apaixonar sempre pelo forró...
Como eh gostoso estar nesse meio...
E como sinto saudades quando volto desses festivais...

Joao Lucena disse...

Excelente blog meu amigo, mas tenho um critica a fazer. A radio toca sem parar e então nao podemos ver os videos. Mas gostei muito do seu Blog.www.avidadoshomens.blogspot.com

MariBernardes disse...

Querida, que texto!! Eu como super apaixonada que ainda sou, me coloquei entre suas palavras e pude sentir toda a emoção de participar de uma familia tão bonita quanto essa nossa familia forrozeira!!
Continue sempre cultivando esse amor, não deixa ele se apagar não. O forró precisa de gente que procure sua essencia, assim como voce, gente que ame, viva e sinta cada pedacinho dele.
Parabéns pelo blog, Sucesso!!

Michelle Rodrigues disse...

Liiiindo texto! Da pra entender tudo sim! rs
Esse ano foi o meu Roots... e que coisa linda meu Deus...

Bjão!