domingo, 31 de maio de 2009

"Chame isso de outra coisa, mas não chame de forró"

Já coloquei aqui um texto falando do descaso que o povo nordestino (no geral) tem dado ao forró pé-de-serra. Esses dias ouvi mais gente reclamando disso. Uma amiga me contou que sempre vai ao São João de Caruaru e, no ano passado, ficou triste ao ver que o show do Dominguinhos foi vazio enquanto o do Aviões do Forró era disputadíssimo. Até Daniel e Cláudia Leite têm mais espaço lá, se brincar.

Não só nós, forrozeiros de cá do Brasil, percebemos isso. Os nordestinos mais antigos, que são os que mais se lembram do forró tradicional por lá, também ficam revoltados.

Recebi do amigo Reginho - jovem baiano, forrozeiro, ex-triangulista e zabumbeiro do trio Os 3 Matutos - um cordel escrito pelo também baiano Marcelinho Catingueiro. Palavras de tristeza que exprimem o que tem acontecido com o forró...

O Reginho me contou que o grupo Flor Serena (BA), que concorreu ao Festival de Itaúnas em 2008, sempre recita esse texto nas apresentações. Quem não se lembra, seguem os versos, para reflexão:

"O que está acontecendo com a raiz do nordestino
fui feliz desde menino apesar do sol fervendo
tu tá vendo o que eu to vendo, esse mundo tá mudado,
pois um tal dos seus teclados chegou forte besta e só

Chame isso de outra coisa, mas não chame de forró.

Lá do céu meu Gonzagão ta tocando seu lamento
e eu aqui feito um jumento escutando outra canção
Dá uma dor no coração grita Jackson do Pandeiro
Como pode um brasileiro chupar cana pelo nó

Chame isso de outra coisa, mas não chame de forró.

Dominguinhos puxa o fole grita o povo do sertão
Um xaxado e um baião nunca que nos amole
tem rádio que é muito mole só toca Calcinha Preta,
mel com terra e o capeta que dos ouvidos tenho dó

Chame isso de outra coisa, mas não chame de forró.

Mas será o benedito que a zabumba foi à lona
o trinâgulo e a sanfona já estão virando mito
ai meu Deus! vou dar um grito e compor outra canção
fazer briga e confusão com a ajuda de Popó

Chame isso de outra coisa, mas não chame de forró."

sábado, 30 de maio de 2009

É TEMPO DE FESTA JUNINA!!!

Pessoal,
chegamos ao período mais nordestino do ano. Época de pipoca, canjica, quentão, maçã-do-amor, fogueira e, claro, muuuuito forró! Começo aqui a colocar a programação de Brasília. Tudo bem, não está lá essas coisas porque alguns produtores estão se esquecendo de colocar o legítimo forró pé-de-serra no período que lhe é devido.

Mas dá para aproveitar... Confira!

Se souberem de mais alguma festa, me avisem!

30 DE MAIO – SÁBADO

Festa Junina do Ceub
Sábado (30/05)
Local: Estacionamento do Ceub, 904 Norte
Atrações: Falamansa e Trio Siridó
Mulheres universitárias não pagam
Preço: R$ 30

Festa Junina do Country Club
Informações: 3338. 8563
Ingresso: R$ 25
Atrações: Trio Siridó (forró); Felipe & Ricardo + Fábio Vianna & Fabrício(sertanejo)
dj Joãozinho Chapéu de Couro (funk e axé)

5 DE JUNHO - SEXTA

Arraial da Católica
Homenagem a Aracaju
Com Elba Ramalho
Local: Universidade Católica de Brasília, Pistão Sul – Águas Claras

Festa do Clube do Exército
Dias: 5 e 6 de junho
Local: Na sede do Setor Militar Urbano (SMU)

Arraiá da Acadimia
Dias 5 e 6
Atrações: dia 5 – Henrique e Ruan + Forró Lunar
Dia 6 – Jhonny e Rhaony + Forró Lunar
Local: Academia de Polícia Militar do DF – Setor Policial Sul


6 DE JUNHO – SÁBADO

Clube Nipo
Data: 6 de junho
Horário: a partir das 19h
Local: Setor de Clubes Sul Trecho 1 Lote 1

Festa Junina da Medicina/UnB
Data: 6 de junho
Local: Centro Comunitário da UnB.


10 DE JUNHO – QUARTA

FESTA DO SEU JOÃO
LOCAL: ASBAC
Data: 10 de junho (véspera de feriado)
A partir das 21h
1- Palco Nordeste: Zeca Baleiro / Rastapé
2- Palco Sertanejo: Henrick & Ruan Fábio Vianna & Fabrício Pedro Paulo & Matheus
3- Palco Axé: Tomate Alexandre Peixe
4- Pista de Dança: Dj Léo S/A Dj Morgana Vácuo Live! Dj André Pulse Dj Mag Brasil
R$ 40,00 (unissex) - Preços sujeitos a alterações
INGRESSOS (a partir de 10/maio) COM MALU: 8502 2357 - 9944 0424 OU 8164 6687 malubomfim@hotmail.com

12 DE JUNHO – SEXTA
Festa Junina da Associação Médica de Brasília (AMBr)
Local: Clube do Médico
Atrações: Pinto do Acordeom (autor da música Por Amor ao Forró), Forró Riqueza, Paulinho do Forró, Os Cobras do Baião e Xamego Bom. Haverá a Tenda do Sanfoneiro, só com forró pé-de-serra legítimo.
Ingressos: Até 31/05 - sócios R$ 75 e não-sócios R$ 100 // Após 31/05 - sócios R$ 80 e não-sócios R$ 120

E 16 E 17 DE JULHO TEM A FESTA JULINA DO ARENA! SANTANA, SALVE JORGE, TRIO FORROZÃO E MAIS...

quinta-feira, 28 de maio de 2009

I Encontro Nordestino de Cordel de Brasília

Atenção amantes da cultura nordestina!

Começa hoje (quinta) o I Encontro Nordestino de Cordel de Brasília, com artistas populares de várias regiões do Brasil, inclusive de Brasília. Na programação, tem apresentação de repentistas, debates, seminários e a presença de autoridades importantes, como o ministro da Cultura, Juca Ferreira, e o presidente da República, Lula.

Abaixo, a programação completa. Mais informações no site do Ministério da Cultura.

PROGRAMAÇÃO DE ABERTURA 28/05/09 - 19H

-SEMINÁRIO - ABERTO AO PÚBLICO 29/05/09 9H-

-EXPOSIÇÃO E SHOW DE ENCERRAMENTO 29/05/09 19H - ABERTO AO PÚBLICO

O I Encontro Nordestino de Cordel em Brasília nasce do reconhecimento da diversidade cultural brasileira e valorização da cultura nordestina. Tendo como âncora o Repente e a Literatura de Cordel, o evento tem por objetivo difundir e fortalecer as manifestações culturais do Nordeste para públicos diversos e não apenas para a colônia nordestina em Brasília.

A programação contempla um seminário que reunirá artistas, pesquisadores, profissionais e dirigentes de entidades que atuam na área para discutir políticas públicas e ações estruturantes para o setor como a criação da Cooperativa Nacional de Cordelistas e a mobilização em favor do projeto de Registro da Literatura de Cordel como patrimônio imaterial brasileiro.

Para celebrar a relevância da ocasião, a ACRESPO oferece ao público uma rica programação artística com shows de renomados cordelistas e repentistas, lançamento de livros e exposição de diversas publicações de editoras especializadas em literatura de Cordel. Por fim, faz uma homenagem especial ao genial e mais consagrado poeta popular do Nordeste Brasileiro, Patativa do Assaré, no ano em que se comemora o seu centenário de nascimento.


DATA DE REALIZAÇÃO: 28 e 29 de maio de 2009

LOCAL: Complexo da Caixa Cultural em Brasília/DF

PROGRAMAÇÃO

28/05 (quinta-feira) - Teatro da Caixa Cultural

19h – Solenidade de Abertura
- Mestre de Cerimônia Chico Simões (Mamulengueiro)
- Hino Nacional em Frevo: Orquestra MARAFREBOI e alunos de música do Ponto de Cultura Menino de Ceilândia (Brasília)
- Fala de Autoridades e Apresentações Artísticas:
Fala da Presidente da Caixa Econômica Federal: Sra. Maria Fernanda Ramos Coelho
Apresentação dos Repentistas: Chico de Assis (DF) e Antônio Lisboa (PE)
Fala do Presidente da Academia Brasileira de Cordel: Sr. Gonçalo Ferreira da Silva
Apresentação dos Repentistas: Ivanildo Vila Nova (PE) e José Luis (RN)
Fala do Ministro da Cultura: Sr. João Luiz Silva Ferreira /Juca Ferreira
Fala em Verso do Repentista Crispiniano Neto (RN)
Fala do Presidente da República: Sr. Luiz Inácio Lula da Silva

21h00 – Hall do Teatro
- Coquetel de lançamento, em Brasília, do livro “Lula na Literatura de Cordel”, de Crispiniano Neto
- Abertura da Exposição de livros e publicações de cordel
23h – Encerramento

Dia 29/05 (sexta-feira) - Teatro da Caixa Cultural

Seminário “Políticas Públicas para o Cordel”

9h00 – Abertura do Seminário
Fala de Representantes Institucionais
Francisco de Assis (Associação dos Cantadores, Repentistas e Escritores Populares do DF e Entorno – ACRESPO)
Fabiano dos Santos (Secretaria de Articulação Institucional do Ministério da Cultura)
9h30 – Mesa-Redonda: Criação da Cooperativa Nacional de Cordel – desafios e perspectivas
Crispiniano Neto (cordelista e Secretário de Cultura do Rio Grande do Norte)
Francisco de Assis (repentista e Presidente da ACRESPO)
Tarciana Portella (Chefe da Representação Nordeste do Ministério da Cultura)
Mediador: Gonçalo Ferreira (Presidente da Academia Brasileira de Literatura de Cordel)
10h30 - Debate com o público participante
12h00 - Encaminhamentos sobre a proposta de criação da Cooperativa de Cordel (Crispiniano Neto, Francisco de Assis)
12h15 - Encerramento: Apresentação dos Emboladores de Coco: Roque (PE) e Teresinha (RN)

12h30 - Intervalo para Almoço

14h30 - Mesa Redonda: A importância da Literatura de Cordel e do Repente como Patrimônio Imaterial Brasileiro
Luiz Fernando Amaral (Presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - IPHAN)
Antonio Lisboa (Repentista/PE)
João Bosco Bomfim (Repentista/CE)
Mediador: Crispiniano Neto (RN)
16h00 - Debate com o público participante
17h30 - Encerramento

Programação de Encerramento – “Tributo a Patativa de Assaré”
Homenagem aos 100 anos de nascimento do poeta Patativa de Assaré

19h30 - Abertura: apresentação de Cordelistas e Repentistas:
Paulo de Tarso (CE)
Ivanildo Vila Nova (PE) e José Luiz (RN)
Moreira de Acopiara (SP)
Antonio Lisboa (PE) e Ismael Pereira (CE)
Zé do Cerrado (PB) e Zé Maria de Fortaleza (CE)
Antonio Francisco (RN)
João Santana (DF) e Valdenor de Almeida (PB)
Arievaldo Viana (CE)

21h00 - Show de encerramento: “Em Canto e Poesia” com Bia e Antonio Marinho
EXPOSIÇÃO EM CORDEL
Folhetos, livros , CD’s, DVD’s, e outros produtos
Editoras Participantes:
Conhecimento Editora (DF)
EditoraCortez (SP)
Editora Coqueiro (PE)
Editora Luzeiro (SP)
IMEPH (CE)
Lira Nordestina (CE)
Queima Bucha (RN)
Tupynanquim (CE)
Unicordel (PE)



REALIZAÇÃO: ACRESPO – Associação dos Cantadores Repentistas e Escritores Populares do DF e Entorno

APOIO INSTITUCIONAL: Ministério da Cultura por meio da Coordenação-Geral de Livro e Leitura – CGLL e Regional Nordeste

PATROCINIO: Caixa Econômica Federal - CEF

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Elba Ramalho no T-Bone - quinta!

O Açougue T-Bone e a Petrobrás apresentam a 24ª edição da Noite Cultural T-Bone, que será realizada no próximo dia 28 de maio, na comercial da 312 norte, a partir das 19 horas, com a participação da cantora ELBA RAMALHO que celebra seus 30 anos de carreira com o álbum “Balaio de Amor”.

O CD traz canções românticas que fazem reverência ao xote e ao baião, uma ode ao Nordeste de compositores pós-Luiz Gonzaga. O palco será dividido com a BANDA CAPITAL URBANA e com o músico GEORGE DURAND. Entrada franca!

Informações:
Apresentação: Miquéias Paz
Data: 28 de maio de 2009 (quinta)
Horário: 19h
Local: Comercial da 312 Norte
Indicativa: livre
ENTRADA FRANCA!

domingo, 24 de maio de 2009

Trio Dona Zefa lança o segundo CD em Brasília!

ATT! É QUASE CERTEZA QUE OS MENINOS VÃO PARTICIPAR DO PROGRAMA PAPO FIRME, NA RÁDIO CULTURA (100,9 FM) - QUINTA-FEIRA POR VOLTA DE 21H. (O PROGRAMA É DE 20H ÀS 22H, NÃO TEM HORA CERTA PARA ELES ENTRAREM).

Com sangue nordestino e forrozeiro correndo nas veias, os três irmãos de Campinas (SP) Danilo, Murilo e Marcelo Ramalho matam a saudade de Brasília nesta semana e vêm com novidades: eles acabam de chegar de uma turnê pela Europa, onde divulgaram o segundo CD, “Lá Vai Pedrada”. O Trio Dona Zefa apresenta-se na quinta-feira (28/05) no Arena do Forró e na sexta (29) no Restaurante Fulô do Sertão para lançamento do álbum.

Elogiados por grandes mitos do forró pé-de-serra, como Dominguinhos e Mestre Zinho, os meninos não negam as origens da árvore genealógica. Os pais são paraibanos, o tio e o avô são sanfoneiros e compositores de forró. O nome do trio, inclusive, é uma homenagem à mãe Josefa, que acompanha o sucesso dos filhos com orgulho.

"Nosso diferencial é a autenticidade, pois, mesmo sendo jovens, preferimos não seguir a moda e fazer uma banda de rock ou pop, mas investir no que a gente realmente acredita, que é o forró tradicional", comenta Danilo, 30 anos, vocalista e triangulista. Em 2004, o trio, que também é composto pelos irmãos Murilo, 26, que toca zabumba, e Marcelo, 25, o sanfoneiro, venceu o Festival Nacional de Forró de Itaúnas, o maior do estilo no país.

O som do Trio Dona Zefa é marcado por um forró cadenciado, mais calmo, com mais suingue, balanço e fortes traços do baião e do xote, que geralmente fala de amor, um dos temas prediletos do grupo. O público brasiliense não costuma deixar o trio ir embora sem tocar o divertido Forró do Talarico, de autoria do vocalista Danilo, e a tradicional Cinturinha Dela, de Jacinto Limeira.

Uma característica que chama a atenção no trio, aliás, é o humor das músicas e apresentações, como em Forró do Talarico e Seu Siriri. "Nós brincamos muito no palco, puxamos tudo para o lado cômico naturalmente, porque nos divertimos muito. É o nosso jeito desde criança e imprimimos isso na maneira de tocar", explica Danilo. No repertório, há ainda clássicos de Luiz Gonzaga, Mestre Zinho, Trio Nordestino, Pinto do Acordeon e Dominguinhos.

No mês de abril, o Dona Zefa foi levar a bandeira do forró pé-de-serra aos europeus. Danilo, Murilo e Marcelo fizeram shows em Londres, Barcelona, Madri, Milão, Suíça, Portugal e Paris, todos lotados. De volta ao Brasil, continuam a divulgação do novo trabalho “Lá vai Pedrada”, álbum com 13 canções cheias de balanço, algumas já conhecidas dos forrozeiros, como “Bicho Besta”, “No Pinicado”, “Cabeça Oca”, “Como Tudo Começou” e a música que intitula o disco.

Serviço:
Quinta-feira (28/05)
Trio Dona Zefa - lançamento do CD "Lá Vai Pedrada" - forró pé-de-serra
Local: Arena do Forró - Arena Futebol Clube - Setor de Clubes Sul, trecho 3
Horário: A partir de 21h
Ingressos: R$ 15, desconto com nome na lista do site www.arenadoforro.com.br
Informações: 9982-0123 ou www.arenadoforro.com.br
CI: 18 anos

Sexta-feira (29/05)
Trio Dona Zefa - lançamento do CD "Lá Vai Pedrada" - forró pé-de-serra
Local: Restaurante Fulô do Sertão - 404 Norte, bloco B
Horário: 20h às 23h
Couvert: R$ 7
Informações: 3201-0129 ou www.fulodosertao.com.br
CI: livre

O Rappa regrava Luiz Gonzaga!

Hoje vou falar aqui sobre o novo trabalho da banda O Rappa. Calma, antes de pensar que estou mudando o ritmo a que se refere este blog, devo dizer que o lançamento deles tem a ver, sim, com o forró pé-de-serra e eu explico.

O grupo liderado por Falcão e que trafega entre pop, rock, dub e reggae (nem eles sabem em qual se enquadram) agora resolveu usar o forró como influência. No novo CD "Sete Vezes", a primeira música de trabalho é "Súplica Cearense", composição de Gordurinha e Nelinho, gravada por Luiz Gonzaga. É claro que a versão d'O Rappa não tem nada de forró. Mas a gravação dessa música veio bem a calhar na época em que estamos vivendo.

O grupo O Rappa estava há cinco anos sem gravar um disco. Durante esse tempo, eles ficaram avaliando centenas de composições que entrariam no novo álbum e "Súplica Cearense" foi unânime entre os membros. Em entrevista concedida ao site G1, Falcão assume ser grande fã de Luiz Gonzaga. “Eu ouvi quase toda a discografia dele do ano passado para cá. A letra desta canção me tocou muito. Fala sobre um cara que achava que as coisas não davam certo porque ele não sabia rezar direito”, explica. “Quis mostrar da maneira d’O Rappa uma música que talvez só depois a galera vai saber que é do Gonzagão”.

Do Gonzagão mais ou menos, né? De acordo com o site Forró em Vinil , dos DJs Tick e Ivan, a música “Súplica Cearense” foi gravada pela primeira vez pelo próprio Gordurinha, por volta de 1960. Na época, ele a catalogou como de autoria dele com Nelinho, mas, no disco de Nerino Silva, gravado em 1967, a parceria aparece como sendo entre Gordurinha e Manoel Ávila Peixoto. O Fagner também já gravou essa canção. No entanto, a gravação mais conhecida da música foi a de Luiz Gonzaga, em 1984, e ele aponta como autores Gordurinha e Nelinho. E é assim que até hoje é dito.

Como quase tudo que Luiz Gonzaga gravou é atribuído a ele mesmo, consideremos que o sucesso de "Súplica Cearense" é graças a ele e, portanto, a gravação da música pelo Rappa não deixa de ser uma belíssima homenagem ao mestre. Totalmente propícia quando se aproxima a data em que a morte do Rei do Baião completa 20 anos (2 de agosto). O conteúdo da música é mais propício ainda, pois trata de um assunto mais que atual.

Quem repara na letra percebe a referência ao que está acontecendo no Nordeste nos últimos meses. A terra tão acostumada à seca, com um povo que sempre sofreu pela falta d'água e rezou para ela cair, hoje vive praticamente submerso a rios criados pelo excesso de chuvas que caiu este ano. O clipe da versão moderna da música ainda retrata uma história que nunca deve ser esquecida: a da saga de Antônio Conselheiro durante a Guerra de Canudos. O vídeo está disponível no site da MTV (clique aqui).

Enfim, seja de pop, rock, reggae ou qualquer outra coisa, a banda O Rappa mandou muito bem ao valorizar uma canção que diz muito sobre a realidade de vários brasileiros. Melhor ainda é ouvir o Falcão sempre gritando "Salve Luiz Gonzaga!" toda vez que canta "Súplica Cearense" em programas de televisão. Bom pra música brasileira, bom pro forró, bom pro povo nordestino.

Veja a letra da música:

Súplica Cearense
Gordurinha & Nelinho

"Oh! Deus, perdoe este pobre coitado
Que de joelhos rezou um bocado
Pedindo pra chuva cair sem parar

Oh! Deus, será que o Senhor se zangou
E só por isso o sol se arretirou
Fazendo cair toda chuva que há

Senhor, eu pedi para o sol se esconder um tiquinho
Pedi pra chover, mas chover de mansinho
Pra ver se nascia uma planta no chão

Meu Deus, se eu não rezei direito o Senhor me perdoe,
Eu acho que a culpa foi
Desse pobre que nem sabe fazer oração

Meu Deus, perdoe eu encher os meus olhos de água
E ter-lhe pedido cheinho de mágoa
Pro sol inclemente se arretirar

Desculpe eu pedir a toda hora pra chegar o inverno
Desculpe eu pedir para acabar com o inferno
Que sempre queimou o meu Ceará"

Mais uma excursão de Brasília para o Festival de Itaúnas

O FORRÓ DISCRETO junto com o RAÍZES DO SERTÃO (DF) e o DJ LÉO também estão organizando uma excursão para o IX FESTIVAL DE FORRÓ EM ITAÚNAS-ES, que será de 19 a 26 de JULHO.

O PACOTE INCLUI: Transporte de luxo (ônibus Double Deck), Guia credenciado pela Embratur, hospedagem, café da manhã, almoço, um churrasco, desconto na compra dos ingressos do festival e, na ida de Brasília para Itaúnas, muito forró ao som de Raízes do Sertão.

PREÇOS DOS PACOTES:
POUSADA AREIA BRANCA - SEM PISCINA):

À VISTA: R$ 640,00
OU 2X 338,00 = R$ 676,00
OU 3 X 232,00 = R$ 696,00

POUSADA DO SENA - (COM PISCINA)

À VISTA: R$ 695,00
OU 2 X 365,00 = R$ 730,00
OU 3 X 250,00 = R$ 750,00

Contatos: LEO 8454-5657/3380-3414 // Rogerio 9553-4886/3359-4522
www.viajeparaitaunas.com.br

quarta-feira, 20 de maio de 2009

O site "Brasil em Vinil" agora é "Acervos do Brasil"

Acabo de receber uma ótima notícia. Está no ar um site novo cheio de informações sobre a música brasileira.

Não sei se vocês se lembram de um site chamado Brasil em Vinil, eu até tinha colocado ele como referência na lista de links aqui do blog. Lá era possível conhecer a maioria dos discos da carreira de vários artistas brasileiros. Quase todos os que eu procurava encontrava lá.

Além das fotos dos discos, organizados em ordem cronológica, havia letras de música, nomes de compositores e tudo o mais. Infelizmente, o organizador do site teve que tirá-lo do ar por problemas de manutenção.

Agora, ele está de volta, com nome diferente. O site agora chama-se Acervo do Brasil (http://www.acervosdobrasil.com/). Ainda está engatinhando, recomeçando aos poucos, e precisa do apoio de todo mundo. Passem lá, observem bem e mandem sugestões e contribuições para o e-mail contato@acervosdobrasil.com .

DJ Tick, os amantes da boa música agradecem!

terça-feira, 19 de maio de 2009

"A peleja do trio pé de serra contra o forró eletrônico"

Pessoal, vasculhando antigos e-mails, descobri um texto sensacional escrito pelo jornalista nordestino José Nêumanne Pinto, do jornal Estado de S. Paulo, no ano passado. Quem me encaminhou o texto foi o professor Paulo José Cunha, que na época nos ajudava no projeto do filme Por Amor ao Forró. Nêumanne fala tudo o que muitos de nós, forrozeiros, pensamos a respeito do forró eletrônico.
O texto é grande, mas super atual e vem bem a calhar nessa época do ano. Vale a pena ser lido:

Jornal O Estado de S. Paulo - 22/03/2008
A peleja do trio pé de serra contra o forró eletrônico
José Nêumanne

O paraibano Antônio Barros é um ídolo da música regional junina no Nordeste: compôs mais de 600 canções, muitas das quais foram sucessos absolutos de intérpetes como Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, Jackson do Pandeiro, Trio Nordestino, Três do Nordeste e Ney Matogrosso (Homem com agá). Mas isso não evitou que protagonizasse um episódio no mínimo contraditório para um artista de sua importância: foi contratado para abrir o show cuja atração principal era a banda Cascavel, da qual ele, sua parceira e mulher Cecéu e a filha dos dois, a cantora Maíra, nunca ouviram falar.

No entanto, a cidade de Aroeiras, no interior da Paraíba, estava em polvorosa com a chegada da banda e ele recebeu o cachê e instruções rigorosas para deixar o palco assim que a banda chegasse. Ao fazê-lo, testemunhou o frenesi histérico com que a atração principal da noite foi recebida por seu público. O fato marcante registrou a transição do forró de pé de serra, cultuado por ele e outros grandes artistas, como Santanna Cantador, Flávio José, Nando Cordel, Dominguinhos e outros, para o forró eletrônico, produzido no Ceará.

Capitaneadas por um empresário pra lá de bem-sucedido residente em Fortaleza, bandas com instrumentos eletrificados e nomes semelhantes, formadas por instrumentistas anônimos, todos funcionários do mesmo patrão, dominam a programação musical das emissoras de rádio e televisão e reinam absolutas nos palcos do interior do Nordeste nas festas juninas. Manoel Gurgel, o imperador do forró cearense, se dá ao luxo de propor parcerias aos grandes compositores regionais, numa tentativa de cooptá-los, da mesma forma como faz com programadores de emissoras de AM e FM em praticamente todas as cidades dos nove Estados nordestinos. Mas pelo menos nisso ele ainda não obteve êxito.

Ao contrário, os representantes da música regional junina autêntica no Nordeste começam a reagir contra a invasão do forró eletrônico. E acabam de encontrar um aliado absolutamente inesperado... na Suíça. Tudo começou em Patos, no sertão e no meio do mapa da Paraíba, cidade onde se diz que se pode fritar ovos no cimento da calçada, tão quente se faz presente o sol por lá. Pierre Landolt, herdeiro de um grupo multinacional de índústrias farmacêuticas, se instalou em sua zona rural, onde estabeleceu uma fazenda para criar bovinos, ovinos e caprinos.

Com os peões instalados em sua propriedade, ele aprendeu a amar os trios de forró de pé de serra formados por sanfona, zabumba e triângulo. E os apresentou a seu amigo cineasta Bernard Robert-Charrue, que, ciceroneado pelo casal de dançarinos de forró Rilávia Cardoso e Ajalmar Maia, fez o longa metragem Paraíba, Meu amor, cujo título foi inspirado na canção homônima de Chico César, nascido um pouco além de Patos, em Catolé do Rocha, nas proximidades de Brejo do Cruz, berço de Zé Ramalho.

O cineasta suíço registrou em imagens coloridas o inesperado encontro do acordeonista de jazz francês Richard Galliano, elevado ao panteão dos maiores instrumentistas da Europa, com o sanfoneiro pernambucano Dominguinhos, herdeiro reconhecido pelo Rei do Baião e herói do europeu. O duelo entre o jazzista e o forrozeiro se deu no palco principal do lugar onde se realiza o que se chama "o maior São João do Mundo": o Parque do Povo, em Campina Grande. O francês também acompanhou Chico César na canção-título e contracenou com dois sanfoneiros paraibanos, Pinto do Acordeon, que mora em João Pessoa, e Aleijadinho de Pombal, cidade que fica entre Patos e Catolé do Rocha.

Concluído o preito cinematográfico ao forró autêntico, em plena temporada de resistência contra o forró eletrônico de Manoel Gurgel, o resultado foi apresentado em Karlsruhe, na Alemanha. E com tal êxito que está sendo prevista ainda este ano uma "noite do forró", no Festival de Jazz de Montreux, na Suíça, com os protagonistas do documentário. Um dia depois de o filme ter sido lançado no Cine Bangüê, no Espaço Cultural José Lins do Rego, em João Pessoa, todos estes artistas populares se reuniram com mais 50 forrozeiros na estréia do filme no auditório da Federação das Indústrias da Paraíba (Fiep), em Campina Grande.

Para lá acorreram Flávio José, apontado por Dominguinhos como seu herdeiro; o patriarca Antônio Barros com suas Cecéu e Maíra; Santanna Cantador, natural de Juazeiro de Padre Cícero e com um timbre muito semelhante ao de Gonzaga; e outros astros do forró de pé de serra, para os quais a vulgaridade do duplo sentido pornográfico das "bandas" eletrônicas (como a Calcinha Preta) não é somente uma questão de decência, mas de sobrevivência.

O filme de Charrue não tem a qualidade do documentário de Wim Wenders sobre o resgate da música tradicional cubana graças ao espetáculo produzido pelo guitarrista americano Ry Cooder, Buena Vista Social Club. Mas pode ser que ele venha a se tornar no ponto de partida para o resgate da mesma autenticidade que o autor da trilha sonora de Paris, Texas evitou que se perdesse no Caribe, impedindo que o forró de pé de serra seja sepultado no sertão pelo comercialismo urbano das bandas de Manoel Gurgel.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Raízes e Lampião no Arena do Forró

A pedidos, Lampião está de volta...

Nesta quinta-feira, o Arena do Forró recebe dois grupos que têm chamado a atenção do público de vários cantos do país. O duelo de forrozeiros desta vez será travado entre o Trio Lampião, grupo de Belo Horizonte que volta à capital a pedidos dos fãs, e o Raízes do Sertão, que tem levado o nome de Brasília a festivais Brasil afora.

Conheça os grupos:

Raízes do Sertão (DF): experiência em lidar com situações inusitadas
Quando começou, em 2006, o Raízes do Sertão era um quinteto, formado por violão, zabumba, viola, triângulo e percussão. A pedido de fãs e amigos e também com o interesse pelas origens do forró pé-de-serra, o grupo passou por transformações até chegar ao formato de hoje: triângulo (Rogerinho, também vocalista), sanfona (Vavá), zabumba (Lacraia) e bandolim (Carlinhos).

As mudanças acompanharam a maturidade dos músicos, que passaram a ser cada vez mais respeitados pelo público da própria cidade. Principalmente depois de um episódio, há cerca de dois anos, no maior estilo “males que vêm para o bem”: a queda de energia durante uma apresentação. Naquela situação, outras bandas poderiam guardar os instrumentos e ir embora, mas o profissionalismo do Raízes falou mais alto. Os meninos desceram do palco e animaram a festa no escuro mesmo, e sem microfones. Foi um sucesso.

Em abril de 2009, a cena se repetiu, dessa vez durante o festival Rio Roots, no Rio de Janeiro. A luz acabou quando o Raízes estava no palco, pronto para tocar. Mas eles já eram craques em tocar num legítimo "forró do apagão" e começaram a esquentar os instrumentos ali mesmo, baixinho. Com o pique que só os brasilienses têm a favor deles, não foi difícil fazer um forró animado na capela e contagiar os cariocas, paulistas, mineiros, baianos e capixabas que estavam no local.

Quando a energia voltou, o Raízes já estava com pique total e fez um show inesquecível e muito elogiado, que lhes rendeu o convite para tocar em outro evento dias depois, o Forró de Magnata, em São Paulo. Em Brasília, eles têm público cativo que os acompanha em apresentações nos melhores forrós da cidade e em grandes eventos, como o Encontro do Nordeste, do qual o grupo brasiliense participou todos os dias e onde também estavam Geraldo Azevedo e Zé Ramalho. Com a bagagem cheia e a qualidade musical, o Raízes do Sertão já é revelação que promete fazer história no meio forrozeiro.

Trio Lampião (BH): mineiros apaixonados pela cultura nordestina
O Trio Lampião foi criado em 2004 pelos mineiros Frederico Letro (zabumbeiro e vocalista), Julio Cesar (sanfoneiro) e Glauco Bruzzi (triangulista). Antes disso, os três já eram amantes do estilo nordestino e tocavam em grupos diferentes. Naquele ano, eles se uniram informalmente e acabaram descobrindo uma afinidade capaz de tornar o grupo querido por forrozeiros de todo o país. A escolha do nome foi estratégica. "O Lampião é uma luz que nunca se apaga", lembram os músicos.

Em 2008, o trio participou do Rootstock, festival de forró de São Paulo, e do Rio Roots, festival de forró do Rio de Janeiro, onde também se apresentou na edição de 2009. No roteiro de apresentações, ainda estão Vitória e Itaúnas (ES), Belo Horizonte (MG) e, é claro, Brasília. No repertório, estão presentes clássicos de Luiz Gonzaga, Os 3 do Nordeste, Jackson do Pandeiro, Marinês, Trio Nordestino, Mestre Zinho, Dominguinhos e outros grandes nomes do gênero.

Serviço:
Quinta-feira (21/05)
Raízes do Sertão (DF) e Trio Lampião (MG) – forró pé-de-serra
A partir de 21h
Local: Arena do Forró - Arena Futebol Clube (Setor de Clubes Sul, trecho 3)
Ingressos: R$ 15 (descontos pelo site www.arenadoforro.com.br)
Informações: 9982-0123 ou www.arenadoforro.com.br
CI: 18 anos